O que está acontecendo?
Você é acusado de ameaça ou violência doméstica com base apenas no depoimento da ex-companheira. Não há testemunhas, lesões ou mensagens agressivas. A palavra dela contra a sua. O advogado mediano foca na ausência de provas, mas o estratégico testa a coerência da narrativa.
Passo a passo
- Obtenha todas as versões do relato da vítima: depoimento formal, ligação ao 190 (COPOM), mensagens à amiga, etc. Petição requerendo a juntada do áudio do COPOM.
- Crie uma linha do tempo detalhada da narrativa, listando cada ação descrita minuto a minuto.
- Compare as versões: verifique se há contradições cronológicas ou factuais (ex: celular que estava na bolsa levada pelo acusado e depois aparece carregando na cozinha).
- No interrogatório do cliente, pergunte especificamente sobre o celular da vítima: se ela tinha outro aparelho, onde estava, se ele realmente o levou.
- Na defesa, destaque as contradições internas sem chamar a vítima de mentirosa. Mostre que a história, como contada, é factualmente impossível. Use linguagem técnica: 'incompatibilidade lógica', 'impossibilidade fática'.
- Reforce que a acusação se baseia exclusivamente no relato, e que este se autodestrói, comprometendo a credibilidade de toda a narrativa.
Checklist
- Solicitei o áudio da chamada ao COPOM (190)?
- Criei a linha do tempo minuto a minuto da narrativa da vítima?
- Comparei todas as versões do relato (delegacia, COPOM, mensagens)?
- Identifiquei contradições internas (ex: objeto em dois lugares ao mesmo tempo)?
- Preparei perguntas para o cliente sobre o celular e outros objetos?
- Na petição, destaquei as contradições sem atacar a vítima diretamente?
Perguntas frequentes
Posso afirmar que a vítima está mentindo?
Não. Nunca chame a vítima de mentirosa. Use termos como 'contradição interna', 'incompatibilidade lógica' ou 'impossibilidade fática'. Mostre que a história, como narrada, não poderia ter acontecido.
A gravação do COPOM sempre está no inquérito?
Não. O delegado raramente solicita. É obrigação do advogado peticionar requerendo a juntada do áudio. Sem ele, a primeira versão espontânea da vítima pode se perder.
E se a vítima tiver dois celulares?
Isso pode explicar a contradição. Por isso, no interrogatório do cliente, pergunte se a vítima tinha outro aparelho. Se sim, a defesa deve esclarecer esse ponto.